sexta-feira, 11 de maio de 2018

A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS DEVE TER ORIGEM NA FAMÍLIA, EM CASA

É muito comum ouvir que o jovem toma direções erradas na rua, com os amigos, na escola ou nas faculdades. Mas a realidade é que a educação familiar é a que deve prevaler na formação de cada criança, de cada jovem. A educação familiar educa para a vida, a escola ensina para capacitá-los. 
Se os princípios da boa conduta são ensinados em casa, é muito mais difícil que haja qualquer desvio do comportamento que os levem a trilhar o mau caminho. Em muitos casos é mais simples alegar que a rua é o inimigo número um dos bons pais, do que os bons pais admitiram que falham em casa. E que a falta de regras diárias básicas desencadeiam a realidade indesejável. 
Os pais ou educadores de crianças e adolescentes tem a responsabilidade de proporcionar às crianças uma educação que lhes permita rejeitar tentações ou convites tóxicos a que eles estão sujeitos longe de casa.
A primeira coisa que pais devem estabelecer é uma educação baseada no amor e no respeito que deve prevalecer nas relações dentro e fora de casa. Este tipo de orientação permite à criança a segurança de que ela necessita para ser capaz de resolver situações diferentes em que ela pode encontrar fora de casa. Quando transmitimos qualidade e atenção nas relações com ou outros isso deve ser carregado com os ensinamentos transmitidos desde a primeira infância.
Quando uma criança tem uma forte autoestima assume as responsabilidades relacionadas com a sua idade. Desejam participar, aprender a compartilhar e sua opinião começa a se tonar importante em casa. Ela pode - no momento em que a idade e maturidade permitirem - enfrentar a vida como aprendeu em casa. E será muito mais fácil não ter problemas associados a certo tipo de pessoas que a desviará do bom caminho.
Uma educação familiar baseada assim vai prepará-la para reagir diante de situações que possam pôr em perigo o seu bem-estar. A autoestima não é desenvolvida em outro lugar senão dentro da própria casa. De dentro da casa para dentro da criança. De dentro dela para transbordar mundo a fora.
Um jovem que, em casa, é amado e adequadamente tratado em suas necessidades emocionais, que não tenha sido vítima de rejeição e maus tratos, que não foi agredido físico e emocional durante sua curta infância e adolescência, possivelmente ele terá autoconceito para tomar as decisões alinhadas ao seu bem-estar e dos demais. 
Para que isso ocorra deve ser dada a ele a informação suficiente desde a tenra idade. Esta é uma forma de ajustar a sua capacidade compreensiva do meio em que vive à sua educação familiar. Por fim, considerar os potenciais riscos que possam impedi-lo de se perder. Fato que pode ser evitado por meio de uma comunicação capaz de lhe dar absoluta confiança e a imprescindível segurança para se posicionar em situação adversa. Se a educação familiar for amorosa e consistente do ponto de vista da confiança em seus educadores familiares, seu filho não se perderá nas ruas.  
Mas que essa educação seja transmitida sem pressão ou chantagem emocional. O amor de casa deve ser incondicional, independente do comportamento, notas do colégio ou faculdade ou qualquer outro fator. O amor em casa deve estar sempre disponível e isto deve ser absolutamente claro para a criança. Somos todos diferentes um do outro, cada cabeça é um mundo, e isso fica mais evidentes durante as primeiras idades. 
O que deve ser de entendimento geral, em casa, principalmente para o menor, é a prática necessária de carinho, apoio para sentir-se amando e respeitado. E, principalmente, a criança ou adolescente deve ser parte de um núcleo familiar que  some para todos. Portanto, a coisa mais simples é perceber com os olhos, falar com o coração, e caprichar nos afagos. Ou diretamente dizer "eu te amo". Assim podemos resumir os cuidados que podem fazer a diferença nos caminhos que os filhos percorrerão.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

FUNCEME RECEBE INSCRIÇÕES PARA CONCURSO PÚBLICO

Estão abertas as inscrições para o concurso da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). De acordo com a assessoria de impressa do órgão, o período de inscrições vai se estender até as 23h59min do dia 06 de junho e somente pela internet por meio do site da organizadora do concurso, no caso a Uece. 
São ofertadas 40 vagas de nível superior para os cargos de Pesquisador e Analista de Suporte à Pesquisa, a serem lotados na sede da própria organização, em Fortaleza. A taxa de inscrição é de R$ 130,00 para ambos os cargos. 
As vagas serão divididas nas seguintes especialidades: Recursos ambientais, Recursos Hídricos, Meteorologia, Monitoramento e Informática, no cado de pesquisador; Ciências contábeis e administração para o cargo de Analista.
Para quem desejar isenção de taxa de inscrição, também deve solicitar por meio da página do concurso na internet até esta quinta-feira (10). Os documento necessário também serão listados no edital. O certame tem validade de 02 anos.  *Edital e inscrições aqui. 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

PAIS QUE NÃO DISCIPLINAM OS FILHOS TERÃO QUE SUSTENTÁ-LOS A VIDA TODA

Içami Tiba foi um médico psiquiatra, colunista, escritor de livros sobre educação, familiar e escolar, e palestrante brasileiro. Professor em diversos cursos no Brasil e no exterior, criou a teoria da Integração Relacional, que facilita o entendimento e a aplicação da psicologia por pais e educadores. 
Em trecho do seu livro Pais e Educadores de Alta Performance, Içami Tiba fala de como pais que não impõem regras e disciplina aos filhos, gera adultos que serão sustentados pelo resto da vida. 
Içami Tiba elaborou 31 frases que todos os Pais devem questionar se estão agindo de tal forma:
01- Fazer pelo filho o que ele próprio pode fazer sozinho;
02- Deixar de cobrar obrigações que ele tem de cumprir;
03- Engolir contrariedades, respostas mal-educadas, desrespeito aos outros;
04- Permitir que o filho imponha suas vontades inadequadas a todos;
05- Concordar com tudo o que o filho faz e diz só para não contrariá-lo;
06- Acreditar que "o filho não mente" ou "ele nem sabe o que faz";
07-  Permitir que o filho gaste o dinheiro do lanche em outras coisas;
08- Assumir para si as responsabilidades sobre o que o filho faz;
09- Silenciar quando percebe que o filho falsificou a assinatura dos pais;
10- Repetir muitas vezes a mesma ordem;
11- Dar tapas ou "surras pedagógicas";
12- Ser conivente com suas deliquências;
13- Aceitar notas baixas, tarefas feitas de qualquer jeito;
14- Terceirizar a educação dos filhos;
15- Ignorar o lixo que o filho jogou no chão;
16- Permitir que os filhos dentro de casa façam o que não devem fazer no ambiente social;
17- Incentivar e tirar proveitos pessoais de qualquer vantagem que tiver;
18- Justificar as falhas dos filhos como erros dos outros;
19- Tolerar mentiras, traições, pequenos furtos etc;
20-  Minimizar o cumprimento de regras, ordens e combinações  estabelecidas;
21- Inventar desculpas por falhas próprias;
22- Mudar as regras existentes para favorecer os filhos;
23- Permitir que experimentem drogas;
24- Fingir que não percebei a ingratidão e o abuso que os filhos cometeram;
25- Instigar superioridade religiosa, financeira, familiar, sexual e etc;
26- Dividir o mundo em pessoas espertas e burras;
27- Ser cúmplice e conivente nas transgressões e contravenções dos filhos;
28- Colocar o filho acima de tudo e de todos;
29- Ajudar o filho  a "colar" nas provas;
30- Fazer a lição de casa dos filhos;
31- Ameaçar ou agredir professores ou pais dos amigos do filho por erros que são dele.  

sexta-feira, 4 de maio de 2018

MUNICÍPIO DE CROATÁ DECRETA PONTO FACULTATIVO NESTA SEGUNDA-FEIRA (07/05/2018)

Nesta segunda-feira, dia 7 de maio será ponto facultativo em Croatá em alusão ao último dia de festa do aniversário do município, que será neste domingo.

Considerando os festejos neste domingo, segunda seria contraproducente.

Confira o Decreto clicando aqui assinado pelo prefeito Thomaz Aragão.

Fonte: Blog do Professor Bebel http://profbebel.blogspot.com.br/

quarta-feira, 2 de maio de 2018

ESCOLA FLÁVIO RODRIGUES REALIZA NESTE DIA 02 DE MAIO REUNIÃO DE PAIS

A Reunião de pais acontece nos turnos manhã e tarde desta quarta-feira. Na ocasião o Núcleo Gestor apresenta aos pais o Projeto Jovem de Futuro, faz entrega de brindes para as mães, conversando sobre a rotina da escola, projetos e outros assuntos, reforçando assim a parceria escola e família. No segundo momento os pais são direcionados para as salas que o filho estuda, onde o Professor Diretor de Turma faz a entrega de boletins, conversa individual com os professores, tratando de muitos assuntos sobre a vida escolar do estudante, firmando compromissos e construindo uma relação bem próxima entre pais e professores.
FOTOS NO TURNO MANHà
1º MOMENTO: NÚCLEO GESTOR E PAIS
ENTREGA DE BRINDES
APRESENTAÇÃO DO PROJETO JOVEM DE FUTURO
FOTOS NO TURNO TARDE
 

terça-feira, 1 de maio de 2018

GOVERNO CONCEDE REAJUSTE DE 5,6% NO VALOR DO BOLSA FAMÍLIA

O Presidente Michel Temer aproveitou o pronunciamento em cadeia nacional na noite desta segunda-feira (30) para reagir a críticas e anunciar o reajuste do Bolsa Família. 
O pronunciamento, programado para ir ao ar à noite, em cadeia nacional de rádio e televisão, foi antecipado com a publicação de um vídeo na página do presidente no Twitter.
Após a divulgação do vídeo, o Ministério do Desenvolvimento informou que o índice será de 5,67%, a ser aplicado a partir de julho. Com isso, o valor médio mensal dos benefícios do Bolsa Família passará de R$ 177,71 para R$ 187,79, o que representará um aumento de R$ 684 milhões no gasto com o programa.  

1º DE MAIO - DIA DO TRABALHO

HISTÓRIA DO DIA DO TRABALHO
No dia primeiro de maio de 1886 um grupo de trabalhadores de Chicago, importante cidade industrial americana, iniciou uma manifestação defendendo a jornada de trabalho de oito horas diárias. A manifestação teve grande adesão popular, chegando a receber o apoio de aproximadamente 90 mil pessoas apenas na cidade de Chicago e em torno de 10 mil pessoas nas cidades de Nova Iorque e Detroit. Em outras cidades, como BaltimoreLouisvilleKentucky e Maryland, houve comícios e reuniões em apoio à manifestação. No todo, por volta de meio milhão de pessoas participaram das manifestações e 1200 fábricas entraram em greve no Primeiro de Maio dos EUA. Ignorados pelas autoridades, os trabalhadores permaneceriam de braços cruzados por mais dois dias. Na tarde do dia 03, em frente à usina de McCormick, houve o primeiro confronto com a polícia. Dois trabalhadores acabaram mortos e dezenas presos.
movimento anarquista, em resposta, convocou um protesto para a noite seguinte. Aproximadamente 2500 pessoas compareceram ao ato, no qual os anarquistas August SpiesSamuel Fielden e Albert Parsons discursavam pedindo a união da classe trabalhadora. Tarde da noite, quando a maioria dos manifestantes já haviam se retirado devido à fatiga e ao mau tempo, ficando apenas 200 pessoas no local, um grupo de 180 policiais surgiu  com a ordem de dispersar a manifestação, mesmo com Spies garantindo que se tratava de um protesto pacífico. Neste momento ocorreu a explosão de uma bomba, provocando a morte de sete e ferindo em torno de setenta pessoas. Foi o pretexto que a polícia precisava para começar a atirar nos manifestantes e, assim, mais cem pessoas morreram e outras dezenas ficaram feridas. A autoria do ataque com bomba até hoje é desconhecida, sendo impossível afirmar se partiu de alguma manifestante ou da própria polícia com a intenção de criminalizar o protesto. A tragédia desse dia ficaria marcada na história como o Massacre de Heymarket.
Porém, ainda não seria nesse ano que o feriado do Primeiro de Maio (Dia do Trabalhador) seria decretado. Esse acontecimento seria lembrado três anos depois, quando da primeira mobilização que deu origem à data festiva.

Contexto Geral

Antes de falarmos do Dia do Trabalho é preciso uma rápida contextualização. O século XIX foi o período em que a Europa se tornou um continente industrial. Apesar da Revolução Industrial ter começado no século XVIII, foi apenas no século seguinte que ela se espalhou pelo continente. O primeiro país continental a se industrializar foi a Bélgica, seguida da França. No fim do século XIX, Itália, Alemanha, Estados Unidos e Japão também poderiam ser considerados potências econômicas. O mundo deixara de orbitar em torno da Grã Bretanha. Havia novos polos de poder.
Quais foram as consequências? Muitas. Mas, olhando apenas no curto prazo, tal processo possibilitou um impressionante crescimento da produção que, contudo, não foi revertido na melhoria da vida dos trabalhadores. Até 1870, o liberalismo ditava as normas econômicas. Acreditava-se que a concorrência seria o motor do crescimento e qualquer intervenção do Estado seria prejudicial ao “equilíbrio natural do mercado”.
Os liberais estavam certos ao afirmar que a disputa por mercado levaria a uma queda nos preços. Isso de fato ocorreu entre 1873 e 1896. O mercado consumidor era pouco elástico e, com a disseminação do modelo industrial por diversos países, o resultado natural seria a redução dos preços dos produtos. O desenvolvimento da infraestrutura e das ferrovias também acabou com a “proteção natural” proporcionada pela distância entre os países. A queda nos lucros, contudo, não apresentou os efeitos esperados. Os empresários, ao invés de competirem entre si, converteram-se em ferrenhos críticos do livre-mercado: “o objetivo de qualquer fusão de capital e unidades de produção (…) deve ser a maior redução possível dos custos de produção, administração e venda, visando realizar os maiores lucros possíveis por meio da eliminação da concorrência destrutiva” (Carl Duisberg, cofundador de IG Farben).
Definitivamente, as empresas não se comportavam como os manuais de economia diziam que elas deveriam atuar. A baixa no preço, num momento em que era preciso cada vez mais investimento em tecnologia, não resultou numa otimização da produção e no bem estar geral. Mas foi no início da formação dos grandes cartéis e trustes que passaram a dominar os mercados e a controlar os preços. Após 1896, o liberalismo seria abandonado na prática, sobrevivendo apenas do discurso. Os preços dos bens e serviços voltariam a subir. Doravante, a concorrência seria entre Estados nacionais e os exércitos substituiriam o empresário capitalista na tarefa de expandir o comércio.
No interior das fábricas, as condições de trabalho eram degradantes. Para os operários, a concorrência foi mantida. Disciplina rígida, baixos salários e jornadas diárias (incluindo mulheres e crianças) de 14 horas a até 17 horas. Férias, décimo terceiro, previdência e descanso semanal remunerado, só existiam nas utopias socialistas. Foi nesse ambiente paradoxal, em que penúria e riqueza se entrelaçavam na paisagem, que se formaram os primeiros movimentos operários.
A organização desses movimentos se expandiu do micro para o macro. Explico. Primeiro, alguns trabalhadores perceberam que, caso se unissem, teriam mais poder de barganha. Depois esses operários começaram a institucionalizar sua luta. Perceberam que outros grupos também padeciam das mesmas dificuldades e se uniram a eles. Novas ideologias também estavam sendo incorporadas. Tais doutrinas apresentavam a “questão operária” de modo universal. Afinal, a indústria se expandia, o mundo globalizava-se, e, com eles, os interesses e as dificuldades. Um operário belga estava sociologicamente mais próximo de um trabalhador americano que de um empresário do seu país. Marx, percebendo esse fenômeno, exortava os trabalhadores à luta, com a famosa frase: “trabalhadores do mundo uni-vos”.

A Internacional Comunista e o Primeiro de Maio

Os trabalhadores se uniram. Em 1864 foi formada a Primeira Internacional Comunista, que durou até 1876. Em 1889, portanto, três anos depois do massacre de Chicago, a Internacional foi recriada, sob o nome de Segunda Internacional. O objetivo era unificar a luta dos operários por melhores condições de vida. Porém, os métodos de ação sempre foram motivos para infindáveis disputas. E foi no interior desses debates que as festividades do Primeiro de Maio foram criadas.
Em junho daquele ano foi aprovada uma resolução convocando uma manifestação internacional operária pela defesa da jornada de trabalho de oito horas. O objetivo era claro e bastante específico: “será organizada uma grande manifestação internacional com data fixa, de modo que, em todos os países e em todas as cidades ao mesmo tempo, no mesmo dia marcado, os trabalhadores intimem o poder público a reduzir legalmente a jornada de trabalho” (Raymond Lavigne, militante guedista).
Portanto, o Primeiro de Maio surge com um objetivo concreto: a redução da jornada de trabalho. Não era, como se tornaria mais tarde, uma comemoração. Era uma estratégia política (mobilização do trabalhador), com interlocutor definido (poder público) e com demandas bem delimitadas (redução da jornada de trabalho).

Como entender o sentido da data?

Antes de seguirmos, é preciso explicar um conceito mais específico, para que possamos aprofundar um pouco nossa reflexão. Os historiadores Eric Hobsbawm e Terence Ranger escreveram um importante livro, “A Invenção das Tradições”, em que propõe uma interessante categoria de análise. Segundos os dois especialistas, os anos de 1870 e 1914 podem ser considerados como o momento em que tradições foram inventadas em massa.
Por “tradição inventada” deve-se entender um conjunto de regras e práticas, muitas vezes de natureza ritual que visam estabelecer uma continuidade histórica linear. Tais práticas possuem uma ligação artificial com o passado e são forjadas com o objetivo de dar coesão a um determinado grupo. As sociedades industriais impuseram modificações, cada vez mais aceleradas, nos modos de vidas tradicionais. Tais transformações fixaram novos hábitos e práticas. Emergiram também novos grupos e organizações, como o movimento operário. E são tais mutações que permitiram que novas tradições fossem inventadas. “grupos sociais, ambientes e contextos inteiramente novos, ou velhos, mas incrivelmente transformados, exigiam novos instrumentos que assegurassem ou expressassem unidade e coesão social” (Hobsbawm). Num mundo em que “tudo o que é sólido desmancha no ar”, as tradições, sejam inventadas ou não, eram o chão no qual aqueles homens poderiam pisar e dar sentido a sua existência.
Primeiro de Maio carrega características tanto de tradições inventadas quanto de espontâneas. Primeiro porque, como vimos, sua origem está numa resolução que “veio de cima”. Havia uma acirrada discussão política sobre o significado da data, que opunha correntes marxistas (guedistas) e anarquistas.
A escolha da data tem um forte significado simbólico e pretendia estabelecer a citada continuidade artificial e ritual com o passado. O primeiro evento lembrado foi o massacre de Chicago. Hobsbawm também destaca que essa era data do “Dia da Mudança”, período em que tradicionalmente se encerravam os contratos de trabalho em Nova York e na Pensilvânia.
A historiadora Michele Perrot vai ainda mais longe ao perceber uma estreita vinculação do primeiro de maio com os ritos pagãos, da tradição popular, que ocorriam no fim do inverno e no início da primavera. Época de renascimento, de reconstrução e de abertura para o novo. É dessa mistura de elementos simbólicos, típicos da esquerda, como a cor vermelha, com tradições imemoriais, que surgiram os ritos do trabalho comemorados do Primeiro de Maio: “as bandeiras vermelhas, único símbolo universal do movimento, fizeram-se presentes desde o início, assim como as flores, em vários países: o cravo na Áustria, a rosa vermelha na Alemanha, a silva de papoula na França, símbolo da renovação” (Hobsbawm).
Essas características (repetição, ritual, datas comemorativas, lastro com o passado etc.) são típicas de uma tradição inventada. Porém, o Primeiro de Maio é mais do que isso. No decorrer dos anos, seus sentidos foram sendo alterados e não ficaram restritos aos objetivos iniciais. Segundo o historiador Eric Hobsabwm, ainda em seu início, houve três mudanças entre a proposta dos guedistas e aquilo de fato que iria acontecer:
1) a resolução era a respeito de uma única manifestação;
2) não havia indicação que deveria ser uma ocasião festiva;
3) não há indícios que a resolução fosse considerada como algo importante àquela altura.

O que explicaria então o sucesso do ato? O próprio Hobsbawm joga luz nessa questão: “os socialistas haviam escolhido o momento certo para fundar, ou se preferir, reconstruir uma internacional. O primeiro Primeiro de Maio coincidiu com um avanço triunfante das forças e da confiança operária em inúmeros países. Para citar apenas dois exemplos bem conhecidos: a explosão do Novo Sindicalismo da Grã Bretanha (…) e a vitória socialista na Alemanha, onde o Reichstag, em janeiro de 1890, recusou-se a dar continuidade às leis anti-socialistas de Bismarck”.
A discussão em torno das festividades é bem interessante. A ideia de um dia festivo gerou polêmica desde o início. Os anarquistas, por motivos ideológicos, eram contra a proposta. “Os anarquistas teriam preferido que ele se ampliasse de um único dia de lazer arrancado aos capitalistas para uma greve geral que subvertesse todo o sistema” (Hobsbawm). Ou então: “um dia de mártires – os mártires de 1896 de Chicago, um dia de luto e de não comemoração” (Hobsbawm).
Definitivamente, o divertimento não fazia parte do projeto inicial. O Primeiro de Maio tomou um rumo diferente daquele imaginado pelos seus idealizadores. Por quê? Difícil explicar. Mas Hobsbawm levanta algumas hipóteses.
Para isso, segundo o historiador, a data foi fundamental, pois era a época que tradicionalmente se comemorava o início da primavera. Outro fator era a ambiguidade semântica de alguns idiomas: “feirn” (alemão) pode significar tanto não trabalhar quanto comemorar formalmente. Nessa época, vale ressaltar, a política era um assunto restrito aos homens e os feriados eram o momento das famílias (homens, mulheres e filhos) se reunirem.
Michele Perrot lembra que a indefinição das lideranças, sobre o sentido da data, deixava muita margem para interpretações. O que estava ocorrendo? Uma manifestação? Uma greve? Um feriado? Devemos comemorar ou se indignar? Essas perguntas foram respondidas pelos próprios trabalhadores, que escolheram o caminho da diversão.
A minha hipótese é muito mais simples que a dos dois historiadores citados. Considero que os trabalhadores perceberam que se divertir e beber são atitudes muito mais prazerosas que passar um feriado inteiro indignado. E que alegria e diversão não são afetos opostos à ação política.
Seja como for, o Primeiro de Maio tornou-se um dos raríssimos feriados (não religiosos) de cunho universal. Talvez seja o único. Tal fato mostra a sua importância.

Conclusão: Dia do trabalho ou do Trabalhador?

Quando a data festiva se consolidou, alguns grupos conservadores passaram a disputar a simbologia do acontecimento. Em 1920, na França, um parlamentar fez um discurso em que defendia: “esse feriado não deve conter elementos de inveja ou ódio (expressão código para luta de classes). Todas as classes, se é que ainda possa se dizer que existam classes, e todas as forças produtivas da nação devem se confraternizar, inspirados pelas mesmas ideias e pelos mesmos ideais”.
Broche do dia do trabalho dos nazistas. Eles distorceram o Primeiro de Maio enaltecendo o trabalho em vez do trabalhador. Hoje o significado original do broche que é distorcido: seria a prova de que o nazismo é de esquerda para a direita revisionista.
Na Alemanha nazista, por exemplo, a data era comemorada sob o rótulo de “dia do trabalho” e não do trabalhador. A estratégia discursiva visava apagar a memória classista e de luta das comemorações. Desde então, essas duas representações disputam espaço na gramática política.
Hoje estamos comemorando o 127º aniversário do Primeiro de Maio. Muita coisa mudou. Outras, nem tanto. A origem dos festejos está na luta pela direito ao lazer. Está na recusa do ser humano em ser apenas máquina, que trabalha, se reproduz e morre. Por isso a ideia de oito horas diárias de trabalho (oito horas de trabalho, oito de descanso e oito de lazer). Depois de muita luta, tal objetivo foi alcançado. Porém, a história é feita de avanços e recuos. Nesse exato momento, esse direito está sendo suprimido do trabalhador brasileiro.
Por isso, é fundamental destacarmos a natureza combativa da comemoração. Festa e luta política não são antagônicos. Muito pelo contrário, como destacou o filósofo Michel Foucault: “Não imaginem que seja preciso ser triste para ser militante, mesmo se o que se combate é abominável. É a ligação do desejo com a realidade (e não sua fuga nas formas da representação) que possui uma força revolucionária”.
Mas, ser apenas alegre não basta. Conhecer a história do feriado, e todos os sentidos que ele carrega, é também uma maneira de fazer com que a data continue sendo uma festa do trabalhador, não do trabalho.